Roberto Requião (Foto de arquivo: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

A permanência de Roberto Requião, 80 anos, no MDB ou sua transferência para outro partido dependerá do resultado da convenção estadual que será realizada no dia 31 de julho em Curitiba. O político está na sigla desde 1980 e por ela foi eleito prefeito da capital paranaense, deputado estadual, governador e senador.

Para conseguir disputar o governo do Paraná pelo MDB, ele precisará reassumir o comando do partido no Estado, que hoje está nas mãos do bolsonarista Sergio Souza, eleito deputado federal nas últimas eleições. 


Caso não consiga comandar o MDB após a convenção, e se o partido caminhar ao lado do governador Carlos Massa Ratinho Júnior (PSD), Requião deverá migrar para uma nova sigla. O presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, convidou o ex-governador para se filiar ao partido e disputar a eleição estadual no ano que vem, mas o PDT também estaria disposto a recebê-lo, segundo fontes próximas.


Para os correligionários de Requião, sua pré-candidatura ao governo do Paraná é irreversível, seja pelo MDB ou qualquer outro partido. No final da manhã deste domingo (18), o emedebista confirmou seu desejo de seguir na sigla em uma publicação no seu perfil no Twitter. “Me apresento para recuperar o velho MDB com minha história. Enfrentarei adversários com prontuários!”, escreveu o ex-governador Roberto Requião.


O político foi direto em suas declarações sobre o futuro do partido no Paraná. Segundo ele, está cada vez mais claro que seus adversários estão unidos para entregar o MDB ao atual governador e ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e, apesar do desejo de continuar na velha casa, admitiu a possibilidade de deixar a legenda. “Nossa alternativa é ganhar amplamente a convenção ou sair do partido”, disse ele confirmando a possibilidade de mudar de partido, caso seja derrotado no próximo dia 31 de julho na eleição que escolherá o novo diretório estadual.



MDB se afastou de suas origens, diz ex-governador


Em vídeo publicado em suas redes sociais e dirigido aos presidentes dos diretórios municipais do MDB no Paraná, o ex-governador disse que o partido se afastou de seus objetivos originais “Hoje eu vejo que o nosso MDB se afasta dos objetivos originais. Está se transformando pelas mãos de alguns num partido de barganhas, de negociatas, de trocas de votos por empregos públicos e está esquecendo a população”, disse Requião.




Roberto Requião no PSB


O portal Estado do Paraná ouviu o analista político Eduardo Negrão e o historiador Sirineu Mota sobre o futuro do ex-governador na política paranaense.

Para Negrão, o fato de Requião migrar para o PSB faz parte de um projeto nacional do partido que já conseguiu conquistar nomes importantes como o deputado federal Marcelo Freixo - que deixou o PSOL para se lançar como pré-candidato a governador do Rio de Janeiro pela nova sigla - e o governador do Maranhão, Flávio Dino, que deixou o PC do B. 


“Os partidos de esquerda como o PT e o PSOL estão muito desgastados, mas no caso do MDB é um outro tipo de situação, ou seja, um desgaste pelo tempo. Já o PSB, tem menos visibilidade. O MDB representa a velha política e nada mais antigo na política paranaense que o ex-governador Roberto Requião”, afirma o analista político.


Para Mota, o emedebista deveria ter deixado o partido há muito tempo e buscado voos maiores, mas segundo ele, é quase impossível imaginá-lo fora da sigla atual. “O Requião deveria ter saído do MDB há décadas atrás e tentado a presidência da República, mas hoje não é mais possível imaginá-lo fora do partido, pois ele mesmo se gaba do velho MDB de guerra”, comenta o historiador.


Ainda de acordo com ele, não existe muita vantagem em Requião deixar o seu atual partido. “Acredito que não seria vantajoso para Requião sair do MDB neste momento. Ele deveria manter sua filiação no partido que tanto defendeu, a menos que perdesse o comando e tivesse encontrando dificuldade em ser candidato pelo MDB”, acrescenta Mota.


Já o analista político Eduardo Negrão opina que não faz diferença continuar ou deixar o partido, porque o cenário se mostra desfavorável para o ex-governador, caso siga adiante com a ideia de voltar a governar o Paraná. 


“Seria encarar mais uma derrota, o que provavelmente acontecerá  porque o governador Ratinho está fazendo uma boa administração e aos 80 anos é muito difícil o Requião se apresentar como novidade ou mudança para o eleitor paranaense. Seria um salto para o passado”, afirma Negrão.


Sirineu Mota vê o cenário de forma diferente, mas quando se trata de uma possível disputa com o atual governador, o historiador também destaca que a volta de Requião ao Palácio Iguaçu é um trabalho árduo e difícil de acontecer no contexto político atual.


“Dentro do próprio PSB, Requião enfrentaria resistência, pois o partido é base do governo desastroso do Ratinho, portanto não seria fácil viabilizar a hegemonia dentro do partido. Mudar de partido, não ajudaria em nada a viabilidade de Requião voltar ao Palácio Iguaçu, talvez uma aliança com o PSB para a vice seria o ideal, mas para conseguir tirar as ratazanas do governo, é preciso uma grande aliança, abrangendo vários partidos e políticos que comandam o Estado, coisa nada fácil de acontecer”, analisa o historiador.


Eduardo Negrão analisa de forma diferente a chegada do ex-senador ao PSB e diz que não haveria resistência. “Não acredito que a direção do PSB do Paraná vá fazer alguma resistência, porque ele é um partido de escala nacional dirigido a partir de Pernambuco desde sempre. O único problema poderia ser com a bancada, mas não seria empecilho”, destaca o analista político.



Vantagens e desvantagens de Requião fora do MDB


Na opinião de Sirineu Mota, caso aconteça a mudança de partido, Requião tem mais a perder que o MDB. “Acho que o Requião perde mais com a troca de partido que o próprio MDB, pois imaginem o quanto de diretórios municipais da sigla existem no Paraná, onde ele é respeitado e admirado, e na hipótese de não ser eleito, isso ficaria ruim”, conclui o historiador.


Eduardo Negrão analisa o cenário da troca partidária de outra forma. Para ele, os dois lados não perdem muita coisa, caso isso venha a acontecer. “Nesse caso MDB e Requião, ninguém perde muito. O ex-governador já está no outono de sua carreira política aos 80 anos. Ele foi um político vencedor e seu filho está bem colocado na política paranaense. Já o MDB, a essa altura do campeonato e também com o Requião sem mandato e muito vinculado à esquerda (ao Lula e à Dilma), faz parte de um passado que o partido tenta aos poucos esquecer, e além disso, a tradicional sigla se adapta a qualquer realidade”, finaliza o analista político.